Consumismo Feminino – Visão de uma Psicóloga Humanista

24/03/2014

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O consumismo te consome? O consumismo está associado ao exagero, ao supérfluo, ao DES-necessário. O ato de comprar ganhou novos significados, é quase que uma forma de expressão e comunicação. As mulheres são conhecidas por sua fama de gastar com roupas, sapatos, bolsas e adoram uma liquidação. São adeptas da “comproterapia”.
A sociedade contemporânea faz do consumo uma opção de lazer. É necessário comprar para alcançar a felicidade, que segundo o psicanalista Erich Fromm consiste “na emoção de olhar vitrines e comprar tudo o que lhe é possível, a vista ou a prazo”.
As mulheres precisam não só de certas grifes, sejam elas de roupas, maquiagem ou produtos para a casa, como também frequentar, por exemplo, salão de cabeleireiros que apresentem glamour. De nada adianta chegar com um corte de cabelo maravilhoso se ele foi feito no salãozinho do bairro.

Precisam consumir e mostrar, ao invés de consumir e desfrutar.

Atendem às exigências sociais, da família, do marido… Vivem a ditadura da magreza e da juventude, e aí? Consomem. Você já se perguntou quais os principais motivos que estão por trás dos seus excessivos hábitos de consumo? O filósofo francês Lipovetsky dedicou-se em seus trabalhos aos temas moda e luxo, defendendo a ideia de que beleza é para todos, enfatizando que “quanto mais a sociedade se volta para a frivolidade, mais aumenta sua ansiedade, angústia e depressão”. O hiperconsumismo se desenvolve como um substituto da vida que almejamos, a título de satisfação compensatória.

É como se a cada frustração ou decepção compensássemos com uma “comprinha básica”.

Já aconteceu comigo e certamente também com você. Quem nunca saiu às compras, sem necessidade alguma, somente para acalmar-se, desestressar e até mesmo alegrar-se? Tudo isso com o intuito de preencher um vazio, que não é só do seu armário. Aqui não é defendida a ideia de que não devemos consumir. Ao contrário, até por que estamos mais exigentes, antenadas, temos nossas próprias aspirações e desejos, preocupadas em consumir produtos que demonstrem a forma como pensamos e somos. Vamos refletir sobre até que ponto o consumismo acaba sendo uma forma de satisfazer necessidades maiores, como um novo relacionamento, um trabalho prazeroso, um estilo de vida saudável, uma nova profissão? Pense nisso na sua próxima compra.

Qual vazio você quer preencher? O do seu closet ou aquele do seu interior?

Vivemos a era do vazio… vazio existencial que reflete nas nossas relações familiares, corporativas, de amizade, no nosso modo de viver angustiado, estressado, na falta de paciência… Consumimos mais e nem por isso estamos mais felizes. Constatação que o psicólogo Geoffrey Miller faz quando diz que “o consumismo se tornou a ideologia mais poderosa por que descarta nossos modos naturais humanos de exibirmos características, e nos mantém ocupados demais – trabalhando, comprando e ostentando produtos – para nos lembrarmos de que podemos fazer isso sem nenhum produto”.

Se o consumismo te consome, procure uma ajuda profissional e certamente encontrará caminhos que te que levarão ao conhecimento de uma felicidade singular.

 

Assinado: Eliane Viegas, psicóloga e amiga

Fonte: Os dispositivos existenciais do consumismo – Renato Nunes Bittencourt (Revista Espaço Acadêmico – N. 118 – Março 2011)

Quem Escreveu?
Tati Godoy

Tati Godoy

Sou esposa, mãe e serva do Senhor, compartilho aqui, meus quase 20 anos de empresa. Limpando e organizando ambientes, atividades que me tiraram do fundo do poço, historia que conto no meu livro. Diário de uma organizadora compulsiva. Entre e sinta-se em casa. Se precisar é só me chamar. Beijinhos.

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