Descarte – Uma questão cultural

08/11/2015

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Veio do Japão? Então pode saber que é bom. A nação japonesa é caprichosa demais, são detalhistas em tudo e completamente esforçados. Coincidentemente, eu estava nos EUA quando esse livro foi lançado. Trazia na capa “New York Times – Best Seller – 2 milhões de cópias vendidas”. Hoje, esse número deve estar bem maior. Então qual é o segredo? Qual a mágica para tantas vendas?

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Se eu pudesse resumir em uma frase a mensagem do livro, seria essa:

Simples assim! Jogue tudo fora e fique somente com aquilo que te faz feliz.

Concordo plenamente e acredito que seja exatamente assim que devemos levar a vida, mas isso, para nós latinos, é um longo processo. Quem está iniciando o hábito da organização e ainda não conseguiu exercer o hábito do descarte, vai sentir um super sentimento de culpa, um peso, um sentimento de incapacidade na hora de descartar. Sabe o que acontece?

Os japoneses sofreram muito. Eles reconstruíram toda uma nação e se tornaram pessoas emocionalmente fortes porque viveram uma experiência terrível. Quem sobrevive uma guerra, olha a vida por outro ângulo e com outro ponto de vista. A geração de hoje tem uma força emocional inabalável, pois muitos tiveram parentes mortos durante a guerra.
Tenho um cliente que veio do Japão, no pós guerra. Ele conta que passou um período da vida dentro de um buraco para se proteger e quando comia, comia insetos. Ele é um homem admirável, com muitos bens e extremamente simples, mas quando você olha nos olhos dele, percebe um brilho diferente, uma luz de quem é sobrevivente. Seus valores são diferentes. Para ele, o simples fato de estar vivo é um presente de Deus. Comum ver ele andando de bicicleta pelas ruas da cidade e tudo que protege o meio ambiente, para ele é fundamental.

A sociedade japonesa se protege de terremotos e tem todas os estabelecimentos e residências preparados com porões. Para eles, o importante é a vida e ponto final. Nós, latinos, migramos de todos os lados do mundo e trouxemos tudo o que podíamos nos convés dos navios. Nossa cultura é um pouco acumulativa e isso faz parte da nossa essência, como uma forma de proteção. Trazemos em nosso DNA a essência da sobrevivência. Por isso, para muitas pessoas, não é tão simples assim desapegar. Não podemos nos comparar com os japoneses. Cada país tem uma cultura. Nós ainda estamos crescendo, se solidificando como seres humanos e em constante processo de evolução.

As gerações futuras serão bem melhores e se não acreditarmos nisso, perdemos a esperança. O povo brasileiro é acolhedor e tem bom coração.

Leia o livro e se depois da leitura, você não conseguir se desfazer de nada, não se culpe. Entenda a ancestralidade da sua família e como ela veio para o Brasil. O desapego é um processo… não é preciso jogar tudo fora para ser organizado. A organização é um hábito que se constrói diariamente, uma escola que só terminamos quando damos o Adeus final.

Veja o que você pode fazer hoje, pois amanhã é outro dia. Se houve a necessidade da leitura, esse já é um grande passo. Se você tem vontade de mudar, você já tem quase tudo.
Comece pelo mais fácil, entenda e respeite a sua dinâmica. Não conseguiu hoje? Tente novamente amanhã.
Para a Marie Condo é mais fácil praticar o desapego, mas nós latinos, temos dificuldades.

Há um tempo para tudo na vida. O importante é não desistir!

Quem Escreveu?
Tati Godoy

Tati Godoy

Sou uma apaixonada pela vida, pela casa e por minha família! Desde pequena minha mãe nos colocava para fazer a faxina da semana e organizar tudo em casa, do quarto até a cozinha, acho que veio desses tempos a paixão que tenho hoje por organização.

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