A vida é feita de escolhas

04/20/2016

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Quando eu era jovem, queria ser estilista e trabalhar na área da moda. Depois, na época do terceiro colegial, eu queria fazer filosofia. Na verdade, quem queria não quer.

Eu era a relaxada da casa, a mais bagunceira, desorganizada e indisciplinada. Quem diria, não é? O mundo é redondo mesmo. Acabei estudando arquitetura e para ser sincera, não gostava muito do curso. O que eu gostava mesmo era da questão o homem e o espaço. Isso me encantava, e assim me formei.

Logo após a formatura, eu fiquei doente, tive depressão, síndrome do pânico, transtorno bipolar… eram esses os diagnósticos. A sentença final era: tomar remédio para o resto da vida. Isso e ponto final.

Larguei os projetos que eu tinha como arquiteta e em um momento de insanidade pensei: vou fazer o que mais amo fazer na vida. Aprendi desde cedo com minha mãe a fazer faxina, e mesmo que na época eu pensasse que detestava fazer isso, hoje acredito que era uma sabotagem do meu inconsciente.

Sim, me formei em arquitetura e fui fazer faxina.

Meu marido já tinha uma imobiliária e na época, sai limpando todos os condomínios. Eu estava doente, tomando muitos remédios e comecei a faxinar, pois era aquilo que eu amava fazer.

Quando desenvolvemos nossa aptidão, ampliamos nossa força mental. A habilidade de fazer as coisas bem feitas proporciona em nós o que chamo de autoestima, liberdade, alegria e satisfação. Assim, comecei a melhorar a cada dia. Eu descobri que fazendo o que eu gostava, melhorava a minha enfermidade. Comecei a me interessar mais pelo assunto, a gostar de organizar as coisas e em um piscar de olhos, aquela adolescente bagunceira se transformava em uma faxineira e organizadora profissional.

Não fiquei só por aí. Percebi que poderia organizar as coisas das pessoas e também descobri porque gostava tanto dessa relação entre o homem e o espaço. A Facilita está instalada há mais de 10 anos. Interessante que a minha irmã, também arquiteta, aderiu a minha causa e hoje ela cuida de toda a parte da limpeza, e eu da organização.

Moral da história:

Muitas vezes recebemos um diagnóstico que parece ser o fim de tudo, mas na verdade pode ser o começo. Ter pessoas que acreditam em nós é fundamental. Ganhar credibilidade nessas horas é ganhar uma vida para o mundo. Depois de muito tempo, entendi o que eu queria faxinar. Eu queria era lavar a minha alma, curar a enfermidade que de repente se deu ao luxo de aparecer.

A limpeza e a organização fazem parte da nossa vida e elas são essenciais se queremos mais qualidade de vida.

Foi num momento de miséria que achei um talento escondido. Muitas vezes temos vergonha de assumir o que gostamos de fazer, às vezes por preconceito, às vezes por orgulho ou vaidade, e acabamos adoecendo e nos tornando reféns de nossa vontade oculta de desenvolver alguma coisa.

Por que nós deixamos para amanhã o que podemos fazer agora? Aí chega o fim do ano e aquele sentimento de “não fiz o que eu queria” vem junto como uma sombra.

A mulher do século XXI está cheia de desejos e voltando para o lar aos poucos. Vejo isso quando saio ministrar cursos pelo Brasil a fora. Ela conquistou o mundo, mas ela tem esse lado maternal, de cuidadora, zelosa… algumas estão voltando para a casa e muitas perderam a referência do que é cuidar de um lar, ainda mais agora com tantas novidades e tecnologias.

Organizar o lar de outra família é uma profissão por conta da falta de tempo, do excesso, das muitas possiblidades.

Esse ano, voltei a estudar. Estou cursando psicologia, porque a relação do homem com o espaço e a mente é o que tem produzido tanto estresse. Muitos projetos ficam inacabados porque não conseguimos mais organizar nossa vida. Muitos sonhos acabam interrompidos porque estamos correndo e nem sabemos para onde. Estamos ficando sem direção, já que se não sabemos onde queremos ir, qualquer caminho serve.

Estamos deixando para lá aquilo que é essencial, estamos com dificuldade de criar novos hábitos, de nos redimir e perceber que a vida pode começar novamente, ou pode continuar de uma maneira mais delicada.

A alma é sensível e ela fica onde se encanta. Só conseguimos deixar fluir nossa alma quando silenciamos nosso coração, mas andamos sem tempo e acabamos nos entregando para o remédio para dormir. Vamos anestesiando nossa essência e quanto mais nos distanciamos dela, mais infeliz nos tornamos. A vida é cheia de encantos, quando decidimos tirar nossas máscaras e encarar quem realmente somos, aquilo que era doença se transforma em vida.

O mundo muitas vezes não é o que se pensa, mas sim o que sentimos. Muitas vezes nos tornamos refém das coisas acumuladas e esquecemos de ouvir a voz que vem lá de dentro do coração. O mundo é redondo e ainda é tempo de ressignificar nossa história. Onde você está agora? Onde quer chegar? O que quer deixar?

A vida é feita de escolhas. Eu escolhi viver.

Quem Escreveu?
Tati Godoy

Tati Godoy

Sou uma apaixonada pela vida, pela casa e por minha família! Desde pequena minha mãe nos colocava para fazer a faxina da semana e organizar tudo em casa, do quarto até a cozinha, acho que veio desses tempos a paixão que tenho hoje por organização.

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